2 de junho de 2011

Mergulho na incerteza...

O mundo que me rodeia, a vida que me palmilhou as mãos desde o começo dos tempos faz de mim o que sou em cada momento, muda-se ao sabor do vento, mas fica sempre a essência, a espinha dorsal que por mais que vergue não quebra. A resistência humana é sobrenatural, cada um de nós, e eu não sou excepção, carrega nas costas uma carga gigante de emoções, dores, paixões, amores, desilusões, traumas... que fazem com que em cada momento faça das minhas acções um palco alegórico de veículos articulados com minúsculos elos de ligação. Inventam-se enredos onde actuo tantas vezes ora como espectadora ora como marioneta dos sentimentos criados nos subúrbios da alma, onde crio os medos à luz das frustrações sentidas e doridas até ao limite. O ser humano, o ser mais complexo do universo tem este velha tendência de complicar o que poderia ser tão simples! Mas gostamos de fantasiar sonhos irreais, criando muitas vezes mais sofrimento que alegria, onde a dor da perda de algo que muitas vezes nunca foi nosso suplanta tudo, destruindo os sonhos que poderiam ser reais e vividos de forma solta e feliz, inviabilizando o futuro envenenando-o de cicatrizes fundas que nos consomem em dúvidas, mascarando a realidade que é nossa que detemos nas mãos e que muitas vezes deixamos fugir por não vermos verdadeiramente como ela se desenha na nossa frente. Pintam-se quadros a cada segundo num sonho irreal, desesperado de sermos felizes, na busca faminta da algo utópico à primeira vista, esquecendo de viver o agora, este momento que está a acontecer. Atravessamos o rio vezes sem conta na tentativa sempre desesperada de ser feliz, quando basta olharmos para dentro de nós, a alegria, a felicidade está em nós, apenas e só... a dúvida corrói, masturba a felicidade que podemos sentir verdadeiramente. Custa largar o que muitas vezes pensamos ser nosso, que sentimos como nos pertencendo, mas que afinal não é. É preciso despirmos-nos desse sentimento de posse, desse sentimento obssessivo agarrado à nossa pele, para sentirmos na liberdade o que nos pertence verdadeiramente, e assim ser feliz.

2 comentários:

N. Barcelli disse...

Para além de outros aspectos, como a narrativa, que é brilhante, admiro a sua lucidez.
Beijo.

PS: obrigado por me ter descoberto, pois só assim me permitiu ter acesso a excelentes textos como este.

Moi disse...

Obrigado pelos elogios à minha escrita e pela visita.

Quanto a te-lo encontrado, os acasos da vida são assim...

Bj