“O amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança de algo que a alma já teve, mas perdeu.” Platão
7 de julho de 2011
O peso da idade...
Hoje, ao que parece e ao passar por vários blogues, este tema da idade e da auto-avaliação esteve um pouco nos temas que li hoje por este mundo virtual. E nem sei, mas apetece-me colocar aqui algumas coisas que me passam pela mente. Todos nós nos olhamos, e todos nós achamos que devemos gostar de nós, a isso, chamamos de auto-estima, mas para mim, tem de ser muito mais que isso, não chega olharmos e gostarmos de nós, de nos auto-avaliar (se bem que há quem não o faça) para nos corrigirmos, há que sentir bem lá dentro onde moram os fantasmas agarrados à alma, onde os traumas de tudo porque já passamos pesam, e marcam sulcos profundos, há que sentir que realmente somos tudo isso, e que para além de tudo nos aceitamos, nos perdoamos quando cometemos faltas, porque nem sempre parece fácil, e muitas vezes não o fazemos, passamos por cima, e deixamos que essa pequenina ferida fique ali a remoer, e a criar raizes. Há que sentir bem na pele, o gosto do que realmente somos, e amarmos tudo isso que somos. Somos o bom e o mau, somos o belo e o feio, somos o anjo e o diabo... e daí, em muitos momentos somos tudo isso, mas somos nós, e somos hoje, o que no passado fomos construindo até chegarmos onde estamos hoje. E cada um de nós é de uma riqueza tamanha, única, incomparável, e se quisermos temos tanto para dar e receber. E o peso da idade faz-me mais sábia, mais madura, mais serena, mais leve... e encarar a vida de um prisma diferente. Às vezes parece que vivemos encarcerados dentro de nós mesmos, e não nos permitimos viver em pleno, mas basta tão pouco para fazer a diferença, e sentirmos diferente. E claro que há os que sentem menos profundamente, e aí está o balanço da vida terrena, mas eu não tenho problema algum em ser dos que sentem mais profundamente, em que a vida sempre me atingiu a camada inferior e mais vulnerável da pele. Se é para viver, para sentir que seja da forma o mais profunda possível, para ter algum sabor, mesmo que isso implique algumas feridas e cicatrizes. E tenho dito!
5 de julho de 2011
A amizade!
Muito se fala de sentimentos, de amor principalmente, mas hoje falo de amizade, daquela pura e simples que transpira num olhar simples e sincero, sem serem precisas palavras, que se transmite num olá, num bom dia, numa palavra de cumprimento, envolta num sorriso. Já faz algum tempo que circulo por este lados virtuais, e amizade ao vivo, palpável, daquela que temos no nosso dia-a-dia, todos nós temos, uns mais que os outros. Há sempre aqueles amigos que vamos guardando ao longo do tempo, que partilharam connosco alegrias e lágrimas, estando sempre lá para o que desse e viesse, e orgulho-me de ter uma mão cheia deles, que guardo como tesouros, que sei que me atendem a qualquer hora, sem me censurar, sem me condenar pelos meus actos, às vezes não tão puros quanto parecem. Mas tenho de dar a mão há palmatória, porque mesmo à distância, e até com algum receio no inicio, fui conhecendo pessoalmente alguns desses amigos virtuais, que hoje são amigos de verdade, pela sinceridade e cumplicidade que se estabeleceu entre nós. Espero continuar a merecer o respeito e a amizade deles, da mesma forma que merecem a minha mais profunda consideração, pelas pessoas que cada um deles é para comigo. Afinal, como costumo dizer, o ser humano não é uma ilha isolada, não é suposto viver em isolamento, sem o calor humano dos que tanto estima e ama. E embora não sejam nomeados aqui os que conheço deste mundo, eles sabem quem são, que afinal, de virtual só tem mesmo a tecnologia, porque por detrás das palavras que cada um escreve à sua maneira, existem seres humanos cheios de mais ou menos valor, com mais ou menos defeitos, tal como eu... ninguém é perfeito, e quem assim se achar que atire a primeira pedra. Mas para esses, especialmente porque já me olharam nos olhos, aqui fica o meu apreço muito especial, acompanhado de um sorriso (caracteristica minha, ou não seria eu) do tamanho do mundo. E deixo também um para os que mesmo apenas falando comigo vitualmente, porque ainda não me conhecem ao vivo, mas por quem já nutro um sentimento de amizade muito forte pela companhia que muitas vezes me fazem, pelos sorrisos que tantas vezes me arrancam dos lábios. E termino com um poema meu, repetido, do tempo do meu primeiro blog, que dedico a todos.
O outro lado do AMOR!
Não tem cor,
Mas é multicolor!
Não tem cheiro,
Mas tem um perfume
Que envolve!
Não tem preço,
Mas é o tesouro mais valioso!
Olhamos nos olhos,
Sem arder de paixão!
Abraçamo-nos,
Sem corar de emoção!
Aparamos lágrimas,
Sem secar as nossas!
Damos as mãos,
Sem querer tomar o outro!
Compartilhamos,
Sem medo, nem segredos!
Somos imperfeitos,
mas a amizade é cega!
Somos tristeza,
Mas a amizade alegra-nos!
Somos cheios de defeitos,
Mas amizade perdoa!
Somos feios,
Mas a amizade é só alma!
É dar,
Sem esperar receber em troca!
É receber,
Sem estar a contar com nada!
É amar,
Sem condição!
Mas é multicolor!
Não tem cheiro,
Mas tem um perfume
Que envolve!
Não tem preço,
Mas é o tesouro mais valioso!
Olhamos nos olhos,
Sem arder de paixão!
Abraçamo-nos,
Sem corar de emoção!
Aparamos lágrimas,
Sem secar as nossas!
Damos as mãos,
Sem querer tomar o outro!
Compartilhamos,
Sem medo, nem segredos!
Somos imperfeitos,
mas a amizade é cega!
Somos tristeza,
Mas a amizade alegra-nos!
Somos cheios de defeitos,
Mas amizade perdoa!
Somos feios,
Mas a amizade é só alma!
É dar,
Sem esperar receber em troca!
É receber,
Sem estar a contar com nada!
É amar,
Sem condição!
4 de julho de 2011
Quando dói a alma...
Há dias que parecem uma eternidade, em que se tenta pensar em tudo menos em nós, para não nos sentirmos, para esquecermos que a solidão existe, que a alma também dói... há dias que se misturam palavras, virgulas, parágrafos, com ou sem metáforas na tentativa de camuflar uma dor que se aninha bem no meio do peito de tão pesada que se torna. Foge-se dela, inventam-se realidades, criam-se ilusões, fecha-se os olhos e embrenha-se o espírito em sonhos irreais, quase palpáveis, à custa da secura da boca que se cala para não dizer o que a atormenta. Há dias que se acorda com este gosto amargo na boca, de sabor a fel. Como se de um momento para outro o fígado tivesse vomitado involuntariamente os detritos directamente na alma, asfixiando de tal forma a razão que esta deixa de ter oxigénio para raciocinar, ficando apenas o espírito à deriva e desgovernado, pairando como um fantasma do outro século, sem casa para assombrar. Há dias mais frios que o inverno, cheios de carências, de saudades, de ausências, de falta de sentimentos... Há dias que nascem parvos e terminam assim...
2 de julho de 2011
Amar depois de amar-te...
Poderia camuflar as palavras de várias tonalidades, mas o cinza é suficiente. Porque quando se ama até à exaustão, até ao limite de se desejar apenas e só aquele corpo, num avassalador contorcer da alma, que se encarcera em si mesma, transformando-se em prisioneira das paredes de um amor que julga ser até que a morte nos separa, que pensa que pode viver apenas daquele sentimento que tudo circunda e circunscreve. Um belo dia tropeça-se num pedregulho colocado à nossa frente, e quando nos levantamos jamais somos o que um dia fomos, para nós, e principalmente o que fomos em relação ao outro. E nos contrastes do que se lê, em que o normal é ler, e ouvir lamentos femininos de que já não são amadas, eu sou um contra-senso, sou eu que já não amo, sou eu que fiquei desprovida desse sentimento que um dia me revirou o mundo do avesso, que um dia me fazia cometer as maiores loucuras, as maiores omissões para estar com aquela pessoa, que julgava eu seria para toda uma vida, mas assim, não é. E neste caso, ao espanto de todos, é ele que se vê no definhar dos dias, consumido numa dor à qual eu sou alheia, e quase insensível. Haverá explicação para se sentir amor por alguém? De certo, tantos já teorizaram, mas ninguém explica como acontece. E o contrário, deixar de sentir, haverá explicação? O que acontece com os sentimentos que morrem, aqueles que um dia se olha para dentro e já não estão lá, aqueles que um dia faziam da vida uma razão de ser, e afinal, o vazio alcança muito mais do que pensávamos, e nos torna salas amplas de um nada que não se deseja sentir, onde até as lágrimas já não fazem sentido. E na mente rolam pensamentos de que mais de que sentir não se deseja provocar dor em mais ninguém. E quando se olha e apenas existimos nós, solitários numa caminhada atroz da sobrevivência, como se não pertencemos à vida, ao mundo… E será que resta mais alguma coisa cá dentro que volte a renascer para dar um sentido maior a uma alma faminta por sentir? Dizem-me o tempo cura tudo, esperando sempre que sim, caminha-se em direcção ao fim, ao pó do qual nascemos, e que um dia retornaremos...
1 de julho de 2011
Temos pena!
Há conversas que me deixam os nervos em frangalhos... posso viver uma milhão de anos mas não consigo entender como faço isto de "escandalizar" o mundo, serei assim tão extra-terrestre, só pode mesmo ser. O mundo simplesmente não suporta a verdade das coisas. Quem disse que os sentimentos permanecem iguais para sempre? Quem disse que também não podem morrer? Mas morrem, sim. Por falta de nutrição, por falta de aconchego e colo. E é assim tão dificil aceitar que as coisas mudam, e mudam para sempre. Jamais um pensamento solto no ar volta a ser o mesmo que cabia no compartimento onde ele cabia antes de ser solto, jamais volta a nós a alma que um dia resolve libertar-se nas asas do sonho, jamais seremos o que um dia sonhamos se ficarmos estáticos no mesmo lugar. Portanto, hoje e sempre consigo deixar sempre alguém de boca aberta, já me acostumei, tenho pena se sou diferente e recuso aceitar as coisas por comodismos parvos, por razões éticas ou morais. Afinal, onde fica a liberdade, quando os outros se acham no direito de nos criticar, sem ao menos saberem realmente das coisas, ou sabendo apenas as meias verdades. Não sei ser de outra forma, o que me vai cá dentro, sai-me pelos poros do corpo sem controle, e quanto ao resto do mundo, paciência, a mentalidade ainda não está elástica o suficiente, pois que torne elástica, eu não posso fazer nada quanto a isso, nem pretendo dar lições a ninguém, mas também não adito que tenham a leve ousadia de me as dar. Aceito sugestões, o meu espírito está totalmente aberto a tudo, mas não permito que se achem no direito de tentarem dar palpites na forma como conduzo a minha vida.
E pronto agora que já soltei o pensamento que estava atravessado na garganta, sinto-me mais leve!
25 de junho de 2011
Quisera eu...
Quisera eu ter o poder de reter mais que um segundo o turbilhão que me povoa a mente tantas vezes! Quisera eu transformar a loucura em razão num simples piscar de olhos! Quisera eu... Mas a vida ultrapassa todo o entendimento humano, que de tão simples, nunca alcança a profundidade de todas as situações pelas quais passamos e muitas vezes nem sentimos o verdadeiro sabor. Quisera eu voltar no tempo e voltar a sentir o sabor de certos momentos! Quisera eu ser o que algum dia virei a ser! Nesta carcaça velha, onde o tempo já correu todas as curvas da existência volvida ao passado, onde a morte pairou no ar da desesperança, nos tempos em que caminhava pelas veredas negras da noite. Quisera eu apagar os traços mal traçados que o destino me impôs sem limite e permissão. Quisera eu ser mais do que saber o que me move nas entranhas ventrilicas da minha alma. Quisera eu voar para paragens perdidas e não mais voltar! Quisera eu... Segurar nas mãos o gosto doce das memórias inesquecíveis do tempo já guardado no baú das lembranças, que se amontoam por ordem de chegada. Quisera eu... Ao estilo vitoriano, resguardar a alma mais pura dos embates lascivos e irónicos da vida! E deixar-me perder por entre as paredes da escuridão de uma não existência real. Quisera eu... Que a chuva me inundasse as entranhas e limpasse todo o fel por lá perdura. Quisera eu... Nesta nano existência pairar nas nuvens do sonho e não voltar nunca mais. Quisera eu poder viver nas paragens que o meu singelo e terno olhar consegue alcançar para além da vidraça. Quisera eu desprover-me das pseudo-teorias internas que me incendeiam o espírito! Quisera eu... mas não quis!
13 de junho de 2011
Gosto de pessoas!

É um facto! E contra factos não há argumentos. Venha quem quiser, e me diga que sou do tempo antigo, que me importo com as pessoas que conheço, num mundo onde impera o egoísmo puro e a falta de sentimentos. Pouco me importa, o que interessa é que gosto das pessoas que pertencem ao meu mundo, e sem elas eu seria diferente, sem elas jamais saberia tanto de mim mesma, sem elas, cada traço meu que descobro no contacto com as pessoas que me rodeiam jamais seria descoberto por numa travessia solitária, sem elas o meu mundo não seria tão rico. Gosto efectivamente de pessoas! Gosto daquelas pessoas que são parte importante da minha existência, daquelas que respeito e amo porque existem na minha vida antes mesmo dela existir, daquelas que mesmo já tendo partido do horizonte do meu olhar, continuam a preencher o meu coração, e daquelas que vão aumentando esse circulo de laços de sangue. Mas gosto também daquelas pessoas que cruzaram há muito o meu caminho e que aprenderam a gostar de mim, uma tarefa que nem sempre é fácil, porque não me dou a qualquer pessoa, o mais infimo de nós sempre fica retido lá no fundo e raramente o expomos à luz do sol, muitas vezes protegido por uma coroa de espinhos, portanto não todas as pessoas que têm a oportunidade de conhecer essa parte importante que me constintui. Gosto, gosto das pessoas que por obra do acaso, ou talvez não, conheci através deste mundo imenso da blogoesfera, mas que no fundo acabamos por restringir aquelas pessoas que fazem a diferença, e que se aproximam de nós, ou se sentem atraidas por traços de empatia mútua. Gosto de sentir que todas essas pessoas gostam de mim, mesmo que às vezes não existam demonstrações fisicas que o revelem. Gosto de sentir que posso contar incondicionalmente com todas estas pessoas de que falei, da mesma forma que podem contar comigo. Gosto de um beijo em forma de palavras, gosto de um abraço apertado que chega a tocar na alma de tão justo. Gosto destas pessoas que fazem parte da minha vida! E esta frase resume tudo o que posso sentir por elas...
2 de junho de 2011
Mergulho na incerteza...
O mundo que me rodeia, a vida que me palmilhou as mãos desde o começo dos tempos faz de mim o que sou em cada momento, muda-se ao sabor do vento, mas fica sempre a essência, a espinha dorsal que por mais que vergue não quebra. A resistência humana é sobrenatural, cada um de nós, e eu não sou excepção, carrega nas costas uma carga gigante de emoções, dores, paixões, amores, desilusões, traumas... que fazem com que em cada momento faça das minhas acções um palco alegórico de veículos articulados com minúsculos elos de ligação. Inventam-se enredos onde actuo tantas vezes ora como espectadora ora como marioneta dos sentimentos criados nos subúrbios da alma, onde crio os medos à luz das frustrações sentidas e doridas até ao limite. O ser humano, o ser mais complexo do universo tem este velha tendência de complicar o que poderia ser tão simples! Mas gostamos de fantasiar sonhos irreais, criando muitas vezes mais sofrimento que alegria, onde a dor da perda de algo que muitas vezes nunca foi nosso suplanta tudo, destruindo os sonhos que poderiam ser reais e vividos de forma solta e feliz, inviabilizando o futuro envenenando-o de cicatrizes fundas que nos consomem em dúvidas, mascarando a realidade que é nossa que detemos nas mãos e que muitas vezes deixamos fugir por não vermos verdadeiramente como ela se desenha na nossa frente. Pintam-se quadros a cada segundo num sonho irreal, desesperado de sermos felizes, na busca faminta da algo utópico à primeira vista, esquecendo de viver o agora, este momento que está a acontecer. Atravessamos o rio vezes sem conta na tentativa sempre desesperada de ser feliz, quando basta olharmos para dentro de nós, a alegria, a felicidade está em nós, apenas e só... a dúvida corrói, masturba a felicidade que podemos sentir verdadeiramente. Custa largar o que muitas vezes pensamos ser nosso, que sentimos como nos pertencendo, mas que afinal não é. É preciso despirmos-nos desse sentimento de posse, desse sentimento obssessivo agarrado à nossa pele, para sentirmos na liberdade o que nos pertence verdadeiramente, e assim ser feliz.
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