
Das injustiças que o mundo comete e não se lembra! A vida é simples e o ser humano transforma-a numa selva, do salve-se quem puder, melhor, dos que são resistentes o suficiente para conseguirem aguentar com o embate inócuo e indiferente das embarcações vizinhas que se encostam lentamente prontas a derrubar-nos. A vida é frágil, tão frágil que se parte ao meio num estalar dedos, e num segundo passamos de bestiais a bestas, como se fossemos lixo, jogados numa sarjeta como um trapo velho que já não serve para nada. A vida, dura, exige que estejamos sempre em alerta, que sejamos sempre perfeitos, uma perfeição utópica que apenas existe na cabeça de quem exige, porque ela não existe na realidade. O ser humano, é muito mais que isso, mas o mundo, as pessoas que o povoam, perderam a humanidade há muito, no resgate solitário do ser de cada um. O individualismo ganhou raízes para ficar! A frieza com que nos deparamos diariamente exige que sejamos assim, de carapaça dura, resistente a todas as intempéries, venham elas de onde vierem, e não podemos parar, nunca. Quem pára, perde a próxima viagem, como se a vida não pudesse ser saboreada em escassos segundos de felicidade sonhada. Ou num outro extremo, é atropelado violentamente e tem de fazer um esforço redobrado para voltar a levantar-se. Valerá a pena, dar tudo por tudo pelos outros, dar o que muitas vezes nem temos para dar, dar o que vai além do esforço humano?!... E um dia, haverá recompensa?!... E trará felicidade verdadeira?!... Fica na consciência (será que a têm?!...) dos que julgam os outros, sem dó nem piedade, e colocam mais espinhos na vida, do que a rosa tinha no início. O que me leva a pensar que cada segundo que passa tem de ser sugado até ao tutano, com a maior satisfação possivel!...




