12 de setembro de 2011

As injustiças que me amargam a boca!


Das injustiças que o mundo comete e não se lembra! A vida é simples e o ser humano transforma-a numa selva, do salve-se quem puder, melhor, dos que são resistentes o suficiente para conseguirem aguentar com o embate inócuo e indiferente das embarcações vizinhas que se encostam lentamente prontas a derrubar-nos. A vida é frágil, tão frágil que se parte ao meio num estalar dedos, e num segundo passamos de bestiais a bestas, como se fossemos lixo, jogados numa sarjeta como um trapo velho que já não serve para nada. A vida, dura, exige que estejamos sempre em alerta, que sejamos sempre perfeitos, uma perfeição utópica que apenas existe na cabeça de quem exige, porque ela não existe na realidade. O ser humano, é muito mais que isso, mas o mundo, as pessoas que o povoam, perderam a humanidade há muito, no resgate solitário do ser de cada um. O individualismo ganhou raízes para ficar! A frieza com que nos deparamos diariamente exige que sejamos assim, de carapaça dura, resistente a todas as intempéries, venham elas de onde vierem, e não podemos parar, nunca. Quem pára, perde a próxima viagem, como se a vida não pudesse ser saboreada em escassos segundos de felicidade sonhada. Ou num outro extremo, é atropelado violentamente e tem de fazer um esforço redobrado para voltar a levantar-se. Valerá a pena, dar tudo por tudo pelos outros, dar o que muitas vezes nem temos para dar, dar o que vai além do esforço humano?!... E um dia, haverá recompensa?!... E trará felicidade verdadeira?!... Fica na consciência (será que a têm?!...) dos que julgam os outros, sem dó nem piedade, e colocam mais espinhos na vida, do que a rosa tinha no início. O que me leva a pensar que cada segundo que passa tem de ser sugado até ao tutano, com a maior satisfação possivel!...

28 de agosto de 2011

Navego em ti...

Coloco as mãos de fora, toco-te na pele, sinto-te na alma, nas encruzilhadas da vida, nestes caminhos ensolarados por onde caminhas suavemente como quem trilha um pano de cetim, com bordados floreados ora de cores claras, ora de vermelhos fortes, com amarelos reluzentes, azuis violeta ou verdes de esperança, onde a cor se mistura com os cheiros, fortes das notas musicais que vestem a cadência das horas... onde os cheiros misturados de cor se transformam num multicolor prado sem fim, roseiral divino, onde danças eternamente, nos sorrisos que te embalam o corpo, num tango sensual com a vida que te jorra nas pontas dos dedos, estes que te (d)escrevem, que te conhecem até ao ínfimo pormenor. Lavo a cara de lampejo, despojo de todas as tristezas que a amargurada existência tantas vezes se compõe, em laivos de alegrias misturados de salpicos de correrias desenfreadas pelas veredas tortuosas de uma nano existência fugaz de um segundo seguro na mão, como um pássaro livre que rasga os céus, numa liberdade estonteante de se perder no infinito...

7 de agosto de 2011

Os amores que eu já vivi...

Foram todos diferentes e todos iguais na sua essência, porque existe sempre algo que é nosso, que nos pertence à alma e que nos atrai em determinada pessoa. Cada um tinha feitio diferente, cada um me mostrou um lado meu que eu desconhecia, cada um teve a sua importância no tempo e espaço certos, no momento exacto em que precisei de sentir o que senti, e como tudo na vida evoluíram, cresceram, transformaram-se e morreram, também… porque nada nesta vida é garantido, nada se mantém para sempre igual, e há que reconhecer que a vida é perfeita assim mesmo, com os altos e baixos dos amores que sentimos. Sejam eles mais ou menos platónicos, mais ou menos físicos, sejam eles completos ou incompletos, sejam eles mais longos ou mais curtos, sejam uma paixão que nos arrebata a alma e nos cega, seja um sentimento suave como uma brisa, uma chuva que cai de mansinho, mas todos foram únicos, insubstituíveis, e uns não foram mais importantes que os outros, e o que senti por cada um deles não poderia sentir por mais ninguém, apenas por cada um no momento em que fizeram parte da minha existência, no momento em que cruzaram a linha do meu destino e viveram uma parte dela comigo. E por mais anos que eu possa viver não esquecerei jamais… cada rosto, cada olhar, cada gesto, palavras únicas ditas e que ficam para sempre, cada traço singular de cada um deles, e não se esquece também a dor de se ter de deixar ir, quando assim tem de ser… E de todos eles guardo lembranças boas no baú das minhas memórias, que me fazem ainda hoje sorrir quando me afloram ao pensamento, porque com todos eles eu cresci mais um pouco, posso afirmar que sou também um pouco do que deixaram comigo, nem que tenha sido por um período curto… e por tudo isso agradeço o privilégio de todos se terem cruzado comigo!

29 de julho de 2011

O destino escreve certo...

Escreve tão certo, por linhas tão tortas! E o meu tem linhas enviesadas de todas as cores e tamanhos, há para todos os gostos... tantas vezes no papel da vitima, e tantas outras no papel da vilã, ou da heroina. Mas a vida só tem sabor assim mesmo, quando se tomam os venenos de um trago só, para sentir o gosto amargo ou adocicado que fica no fim, preso ao céu da boca. E um dia, bem lá atrás no passado, uma outra alma, a minha num outro tipo de registo chegou no fim do penhasco, à beira do abismo, e tomou a decisão indolente de viver cada dia como se fosse o último, umas vezes fi-lo com lógica, outros sem lógica alguma. Mas em todos os dias apenas um sentimento, jamais o arrependimento, porque esse só existe se não fizermos o que a nossa vontade proclama dentro do peito, e solta aos quatro ventos. Poderia dizer, que o fiz sem medo, mas este também faz parte da vida, em cada passo, em cada nova etapa, em cada novo ciclo. E em cada dezena das minhas quatro que já tenho, houveram marcas profundas que ficam para todo o sempre, a questão aqui passa por olhar para elas e ver se realmente ainda fazem sentido deixa-las sangrar, ou perdoa-las, para não doerem. E estando a fechar mais uma das dezenas, ou no inicio de outra se quisermos, a rabo parece sempre  ruim de esfolar, e o destino mais uma vez não me facilita a vida, mas como me dizia alguém e muito bem, apenas carregamos o que podemos, e eu devo ter as costas bem largas. E no meio disto tudo, sobram sentimentos e lembranças que gostei sempre de preservar no baú divino das minhas memórias, mas ao que parece desta vez o tracejado longitudinal da minha travessia não parece querer deixar-me guardar o que de melhor senti, vivi nestes últimos dez anos. Neste momento, por mais que queira, e porque as coisas ainda são frescas não lhe encontro lógica, mas de certo o patamar onde me encontro deve ter as suas razões para deletar este pedaço. Assim sendo, rendo-me aos pés do destino, de forma submissa, porque não me encontro com forças para lhe resistir nesta luta que a minha intuição antevê como uma premonição colada ao corpo, como se de uma lembrança já se tratasse, ao invés de algo que ainda irei viver. Resta-me admitir, que o meu mais apurado sentido é do pior que possuo e como tal, me atira para uma visão cruelmente real dos factos mesmo quando os pinto de outras cores. E já dizia Marcel Proust "tudo o que foi prazer torna-se um fardo quando não mais o desejamos"

25 de julho de 2011

Trocadilhos mentais!

Há dias complicados, onde a minha desvairada mente circula por caminhos de sentido único, ou até mesmo proibidos, roda, roda e volta sempre a bater no mesmo ponto, a tocar na mesma ferida como uma doença crónica, um karma difícil de ultrapassar, mas o mais esgotante de dias como os de hoje é a minha tentativa redobrada para conseguir a concentração que me é tão fácil obter nos restantes dias. Mente esvoaçante, pássaro livre, que jamais se consegue agarrar, ou prender, que me larga em tracejados imperfeitos, de ruelas e estreitos de sentido único, sem hipótese de retorno. Quanta candura num olá sincero, e num olhar que nos remete a um espaço irreal, que nos tolda os sentidos, arrebata e invade a alma, como um furação de recordações sem nome, de sentimentos adormecidos, ou talvez, apenas silenciados pela ausência dos dias, pela presença longínqua de uma sombra que ainda teima em pairar no coração, o meu, desgovernado, sem direcção certa. . .  dias, como o de hoje, em que sensações e sentimentos voltam em catadupa como uma torrente de água, que em cascata cai sobre o meu corpo. Será que o timing perfeito que um dia me fez cruzar um olhar teu já se esvaiu completamente no ar, ou será que ainda restam pedaços mortais espalhados pelo chão por onde caminho ligeira, com medo de levantar fantasmas, e ser surpreendida?!. . .  Dúvidas plantadas, numa mente tortuosa para consigo mesma, arrancando pedaços de pele como se fossem as tuas mãos deslizando por cada poro que me constitui, numa respiração colada na minha, porque tantas vezes foi a mesma. Serpente venenosa que inflama o peito de ar, e me remete para outras eras, num passado morto, pelo silêncio. . .

21 de julho de 2011

Assentou que nem uma luva!

Há dias que terminam de forma excelente, e num dia em que a amizade se comemora, o meu dia não podia ter terminado da melhor forma. E esse restinho de tarde e noite fez-me pensar, repensar, talvez mais, sentir, o verdadeiro valor da amizade, daquela que se proclama aos quatro ventos, e que por lapsos de magia nos atropela em momentos certeiros, e ontem foi um desses dias. Num lanche onde a riqueza de um conhecimento de longa data, com alguém que estimo de outros carnavais, com alguém que posso dizer que me conhece por dentro e por fora, que me consegue ler ao minimo movimento, que me diz na cara o que faço ou não de errado, que mesmo com a consciência de que nem sempre fazemos a coisa certa, às vezes fingimos para nós mesmos que é o mais acertado sem ser, e mesmo assim, e apesar de reconhecer isso mesmo, me diz o que tenho de ouvir sem medos, receios, sem capas, da forma mais frontal que se possa encontrar numa relação de amizade. Alguém que me deixa com um orgulho enorme por dentro por um dia, lá atrás no passado, ter cruzado no meu caminho. Alguém a quem devo parte da resolução de alguns conflitos internos. Alguém que sempre jogou com a maior e mais pura sinceridade que possa ser sentida. Amiga, sabes que podes sempre contar comigo, para qualquer coisa, em qualquer altura, e mesmo sabendo que não vais ler este post, ele não precisa de ser lido por ti para saberes tudo o que está aqui escrito, e acima de tudo o que não está aqui escrito, porque as palavras não chegam para descrever o sentimento que nos une há vinte anos. E a noite teve um outro momento especial com outro alguém que me fará recordar este dia de amizade com mais um valor acrescentado ao sentimento genuino de amizade que se pode sentir entre duas pessoas.

18 de julho de 2011

Metaforicamente falando...

O amor… é frágil como uma pétala de rosa largada no vento, que desliza suavemente pelas paredes internas da alma. Os sentimentos são todos eles frágeis, mas o amor é mais, porque o desejamos acima de qualquer coisa, porque temos sempre medo de o perder quando o encontramos, e tantas vezes ficamos sem saber como lidar com ele. Nasce, por coisa nenhuma, instala-se num canto qualquer nosso escondido, e vai crescendo ao sabor dos dias, do alimento invisível que lhe vamos dando. Muitas vezes cresce torto, e deixamos de lhe dar alimento, e ele morre de inanição, morre sem darmos conta. Mas tantas vezes, o amor existe nas pedras toscas que apanhamos no chão, e nem lhe ligamos, desprezamos, ignoramos, quiçá até maltratamos porque não tem a forma que sempre procuramos, como se apenas fosse amor, aquela perfeição utópica que um dia idealizamos na nossa mente, e que talvez não corresponda a absolutamente nada na vida real. Mas o amor também tem espinhos, como as rosas, belas, perfumadas, perfeitas, com os seus espinhos, finos e aguçados, pontiagudos, que ferem quem tenta tocar-lhe sem cuidado, como o amor. É preciso delicadeza para colher uma flor tão delicada, sem estragar, sem machucar. E às vezes sente-se o perfume, guarda-se a beleza do encantamento da flor, quando nos cruzamos com ela, e apenas e só isso, nos enche a alma de sensações brutalmente inexplicáveis, e ficamos apenas como espectadores sem colher, sem tocar na flor, apenas e só admirando-a…

14 de julho de 2011

A preto e branco!

Quando se acorda demasiado cruel com a vida! Quando o chão que pisamos se torna tão frio quanto o granito que compõe as pedras da calçada! Quando olhamos as mãos, e vemos exactamente apenas e só as nossas mãos, com as marcas do passar dos anos! Quando olhamos para trás e apenas vemos a real crueldade da vida! Quando nos despimos dos sonhos, de todo o charme cor de rosa que nos envolve num turbilhão de ilusões! Quando os ruídos dentro de nós cessam, e tudo fica mais silencioso! Quando caminhamos e deixamos de ter sombra! Quando de olhos fechados os pontos de luz desaparecem, e ficam somente as imagens a preto e branco! Quando a mente nos agrilhoa a visão do mundo! Fica o vazio de uma existência empírica de saberes acumulados que transbordam ao mínimo movimento de um pestanejar. Ficam os restos mortais de uma infância vivida a preto a branco, que se aloja e esconde por detrás dos vultos que me foram compondo a vida ao longo dos tempos. Fica o gosto de cada eu provado num mastigar lento pelo tempo. Fica a azia provocada pelo estocar das portas nas paredes da alma, como ecos num poço sem fundo! Quando olho para mim, no passado mais longínquo vejo-me descalça, envolta em lágrimas, num tempo sem tempo para ser criança! Quando olho para mim, hoje, aqui e agora, a essência está lá, é a mesma, mas o invólucro foi transformado! Depois de todos os obstáculos trilhados, de todas as provas superadas, fica a faltar apenas e só o remate final...