2 de novembro de 2011

Cruzamentos eternos!

Vivemos num mundo em que não se fala tudo o que sente, nem se sente tudo o que se fala. A vida é cheia de cruzamentos mais ou menos longos entre os seres que vão passando pela nossa estrada. Tem pessoas que simplesmente nos são tão indiferentes que nem nos lembramos que um dia atravessaram uma das nossas passadeiras. Outras há que lembramos pela negativa dos confrontos que travamos com elas, em disputas, que neste momento futuro já nem fazem sentido. E depois há um grupo que sentimos uma empatia de imediato, sem sabermos muito bem porquê, mas sentimos que algo nos liga, que algo fora da nossa compreensão racional nos encaminhou para aquele cruzamento. E dentro desse grupo, ainda há os que são passageiros ambulantes, como que saltimbancos de rua, que parecem pular de ramo em ramo, sem se fixarem em relação alguma, mas que guardamos com carinho a sua leve passagem. Mas há os que nos marcam para sempre, aqueles que a história deixou gravados em letras em relevo, e que por mais anos que passem jamais serão esquecidos, e tantas vezes, uma imagem, uma música, um som, um reflexo nos transportam no tempo; e muitas vezes fazem parte da nossa existência por longos anos, outras vezes não. De qualquer forma, dos mais ou menos importantes que se cruzam connosco, a nossa alma transforma-se pelo acréscimo de conhecimentos que trocamos, partilhamos, nos damos ou não a conhecer. E seja, que espécie de sentimento que algum dia tenha sentido, foi sentido sempre na sua plenitude, ao seu máximo, porque só assim, faz sentido, tem razão de existir. E hoje, muito mais que ontem, correndo o risco de me repetir, digo tantas vezes quantas me apetece que gosto de determinada pessoa, que a sua companhia é agradável, e que sinto falta da sua presença. Porque ninguém tem poder de adivinhação, e neste mundo cada vez mais consumista, as palavras, os sentimentos parecem estar em desuso, tudo parece plástico como numa casa de fast food, e para mim, as pessoas, os sentimentos ainda são à moda antiga, nem são de consumo e fabricação rápidos. Quando amo (aqui generalizo todas as formas de amor), amo com toda a alma, para que fique gravado para toda a eternidade. E posso considerar-me felizarda por ter tantas pessoas especiais que fazem parte da minha vida. E por cada pessoa que acrescento na minha vida, sinto-me um pouco mais rica, e isso faz-me nascer sorrisos no rosto. Deixo aqui um gosto de ti muito especial para todos os que me lêm por aqui e que gentilmente me comentam, dentro desses os que falam comigo apenas virtualmente, sem nunca os ter olhado de frente, e os que para além disso me conhecem na vida real. E seria hipócrita se dissesse que não gosto de receber retribuição do que dou em amizade, porque todos nós damos o que esperamos também receber.

30 de outubro de 2011

O tesouro...

Navegando pausadamente pelos sinais que me deixas ver, olhar, tocar... com a ponta dos meus dedos, que dedilham sulcos profundos nesse tracejado obliquo da existência, carregado de memórias, antevendo antecipadamente cada passo na bola de cristal da alma, encarcerada nesse corpo divinamente escultural. Onde coabita uma mente de desejos insanos com um espírito livre e selvagem. Impossível resistir, ao indelével desconhecido, prémio final das provas superados pelo caminho tortuoso de uma ambição desmedida, atracção fatal neste reduto imaginário plantado no meu coração. Este vazio pintado de carmim e lilás desses lábios mudos de silêncios, sons proferidos em estrofes encantadas pela dança dos teus olhos, esses que me fascinam, magnetizam, aos quais ficarei eternamente presa, numa busca interminável dum sentimento viginalmente tocado nas sombras do pecado. Percorro veredas infinitas por esses prados... dançando docemente entre as correntes de cada segundo percorrido pelo futuro transformado em presente.  Dança para mim, encanta-me, seduz-me... como uma borboleta frágil que apenas pode ser admirada. Seguir-te-ei até ao derradeiro fôlego suspirado pelos meus meus lábios, os que arrebatas com palavras vãs jogadas indecentemente ao vento, na tentativa inglória de atingir o tesouro mais valioso. Quebra o gelo! Joga de novo as cartas em cima da mesa, e parte em busca desse destino incerto escrito com tinta invisível ao olhar comum... perceptível apenas ao sentido táctil dos meus dedos. Aqueles que levemente te tocam escondidos do mundo, sequer olhados por ti!

14 de outubro de 2011

Pedaços do sonho...

Olho-me nos olhos, e nas mãos vazias ficam as linhas de um esboço mal traçado, escorrido e escrito entre os desígnios dos deuses, numa imensa folha de papel em branco, com palavras nuas, dançando entre as virgulas e os pontos finais... da enxurrada de emoções que a translúcida mortalidade nos obriga a engolir, sem permissão, a seco ou embrulhadas num misto de sorrisos e lágrimas. No silêncio gritante a tinta chora sentimentos contraditórios, onde vive o sonho, que vai dançando lenta e sorrateiramente entre as sombras gigantes do amor/ ódio dos dias de trevas, onde se plantam esperanças nas estacas que demarcam o caminho, um riscado rasurado pelo cair do tempo, atravessado pelas curvas da existência, como passos de um tango descompassado no prazer da mente, construindo assim uma memória inconfundível, talhada a fogo como uma tatuagem definitiva minuciosamente desenhada na pele, de onde jamais se apagará. Conjunção indefinida da intermitência dos desejos profanos da alma, estatelada nesse estrelado levitante que os silêncios carregam noites fora, debaixo do luar dos meus olhos, algodão puro do encanto que remexe cada corda desta viola moldada e feita estátua que hipnotiza, crava alucinações irreais nos mais incautos, derretendo cada pedaço de gelo à sua passagem, numa entrega de olhos fechados e braços abertos às vontades caprichosas do destino impiedoso das memórias, num abandono sem medo ao êxtase de todos os sentidos...

12 de outubro de 2011

Toque a duas mãos...

Há dias que amanhecem secos, onde a alma caminha solitária por caminhos tortos da mente, rebuscando sensações, trazendo lembranças silenciosas à flor da pele. Onde a dor escarafuncha um buraco na alma, que se esvazia terrivelmente, como se a mesma se abandonasse do corpo em lampejos momentâneos. Dias de um doce amargo, de um misto de sensações e emoções, de um desenfreado correrio pelas alamedas verdejantes que me enchem o corpo de matizes dourados, num contraste negro, de fundo multicolor. Sensações que se agarram à pele, num turbilhão de pensamentos, de palavras e silêncios, sem nexo num contexto irreal do que um dia fez florir os sorrisos. Dias iluminados pelos sonhos invisiveis, pelos traços estranhos de um corpo que já atravessou o verão, e deixou a sua marca vincada na sombra da vida. Dias em que o peso dos dias se faz sentir em cada poro do corpo, mergulha e se afunda entre as quatro paredes internas onde impera o silêncio, onde jazem as memórias lívidas do tempo caído no renascer das noites, em interrupções inaudíveis. Dias onde os sorrisos rasgados andam entrançados de mãos dadas com as lágrimas, onde a carência de um gesto despoleta uma torrente de alucinações inesperadas, desejos vazios, inaturais esperanças, daqueles dias que foram enterrados no passado, onde as tuas mãos e as minhas mãos se abraçavam a tocar o mesmo instrumento, em vontades partilhadas, onde os versos escritos no teu olhar eram lidos pelos meus lábios, e faziam cair estrelas cadentes do céu, onde a lua rasgava o infinito em sussurros coloridos. Dias onde as horas enfeitam as ausências do nós como um jardim de rosas, sucumbido ao assobiar do vento. Dias apenas... que se evaporam vagarosamente na saudade de um piscar de olhos...

7 de outubro de 2011

Sombras da Alma...

Penumbra... onde semeias as tuas palavras, encadeadas, soltas, presas em nuvens de sabão. Voa, voa… nesse ímpeto de alcançar, alcançando-me por dentro, nessa tentativa de te prender na palma da mão. Bailando ao sabor dos luares, dos raios de sol morno do Outono, nesse lugar pequenino que se esconde por detrás do coração… caminhos agrestes, símbolos do passado preso, nessa gaiola chamada de tempo, onde morrem as aves, se calam os cantos dos pássaros e se silenciam os murmúrios dos regatos que me levam o oxigénio à boca. Sabores rendilhados engolidos pelas ondas dos dias navegados com sofreguidão e loucuras coloridas… guerra atroz e desenfreada entre o certo e o errado, como um portal aberto na eternidade, onde a salvação morreu à entrada, e a luz da escuridão invadiu o espaço sem permissão, consumindo todos os pedaços acetinados do presente da vida… onde te perdes nas emoções floridas, sopradas pelo silêncio difuso da alma, num soluçar lento da noite, aquela que te acompanha nos saltos mais sombrios da vida, num abandono real, numa presença cortante de uma dor sem fim… essa busca incessante de lapidar o diamante que habita em ti, cristal brilhante que apenas os teus olhos são capazes de ver, sentir… amar!

2 de outubro de 2011

Viagens...

Saltando daqui para ali, dali para acolá danço ao sabor desses beijos escritos na magia da ilusão, no brilho dos olhares trocados, desses mimos incandescentes que me enlouquecem a pele, eriçam o coração e me envolvem o corpo de borboletas... não quero parar de voar nas nuvens que me carregam por dentro dos dias, aqueles que passam vagarosamente por mim, nesse balanço do (en)canto das sereias que me deleitam o corpo de estrelas douradas. Perdida no emaranhado dedilhado entre os suspiros nus que o sol lança à lua quando esta acorda do seu sono profundo, quero ficar nessa dança que as palavras embalam e carregam ao colo, levando-me até ti! Viajo de olhos abertos, procurando recantos escondidos, perdidos, enrugados no horizonte parado do olhar selvagem do infinito da alma. No som do assobiar do horizonte navego por esses oceanos de emoções multicolores, carregadas de gestos sedutores, mergulho em águas calmas que brotam das profundezas de ti... E num riscado angular e perfeito da luz matinal que o sol desenha no meu rosto sinto os teus braços a envolverem-me em doçura, esse mel que me entorpece de amor puro...

 
Participação no tema de Outubro na Fábrica de Letras

25 de setembro de 2011

Pedaços partidos...

Quando o coração se parte em pedaços de vidro espalhados pelo chão da vida, encolho-me no canto imaginário da minha estrada solitária, onde te guardo entre os destroços varridos debaixo do tapete do passado, aquele que ainda pulsa cá dentro, aquele que me faz sorrir os olhos, aquele que ainda me lança o coração às lágrimas do desespero... percorro todos os compartimentos escondidos em busca das sombras dos teus beijos meigos, carícias do tamanho do mundo, das sensações que languidamente me afloram aos lábios nesta sede de te amar eternamente... toco-me na alma, com balões de algodão doce, que se desfazem ao abrir de cada porta, vazias de ti... fecho os olhos, e sinto-me em ti, nesta ânsia de recuperar cada segundo que se consumiu ao som do rodar silencioso dos ponteiros do relógio, tornado passado em cada esquina vivida. E o vento canta uma canção de embalar no meu rosto, e desenha-me beijos de paixão no corpo, num sabor único jamais sentido. E onde está o poder de reconhecer o presente quando ele se faz presente único na vida? Onde está?... Apenas o eco me responde... Os olhos, a boca, o corpo, a mente esvaziam-se de palavras... E até o universo se cala em silêncios conspirados de folia e êxtase, de matizes coloridos pelo reencontro das almas... esse ancestral encontro marcado no infinito dos tempos, jamais alcançado em uma única reencarnação, em uma só existência de aprendizagens, e etéreos encontros.  E nas mãos carrego a tinta com que escrevo linhas de amor, paixão, sedução... as que me brotam do mais fundo eu, pescadas com linhas de seda e iscos de magia. E um dia a alma sente que todos os pedaços se colam, o coração bate (des)compassado e tudo faz sentido, todos as peças do puzzle se encaixam numa perfeição sonhada, esperada... e o corpo pede, a alma implora, o corpo morre de fome das queimaduras desse calor sentido, nesta fugaz existência de (des)encontros... actos consecutivos representados numa só peça teatral...


18 de setembro de 2011

Confesso-me a ti!

Saudade...  E como se impede a alma de sentir!?... Não devia existir, nunca! Devia ser proibido! Para não se sentir este aperto no peito que parece estraçalhar o coração, encher a alma dum vazio sem fim, que não é meu, nem é de ninguém, esta dor fina que se aloja bem lá no fundo, sem tamanho nem medida de tanto que parece que vai explodir, enchendo cada canto, cada centímetro de pele, como uma doença que se alastra lentamente, desde a mente que se eleva ao passado, e que teimosamente lá quer permanecer por mais que tente faze-la voltar, até ao mortal corpo que se ressente em tremores. Esse frio incendiário que vai subindo corpo acima invadindo sem permissão cada curva, cada dobra numa convulsão que se agiganta e termina num amargo de boca, num nó na garganta, que prende até a fala, não deixando lugar nem para um suspiro de silêncio, terminando num eco surdo dentro do coração, e fazendo doer. Tenta-se encontrar incansavelmente uma distracção mas todos os caminhos parecem desembocar no mesmo lugar, esse buraco sem paredes, nem direita nem esquerda, esse lugar onde poucos têm permissão para entrar, e que depois tantas vezes não os queremos deixar sair. Ah! Dor ladra da alma! Deixa-me voltar! E pede-se à alma, ave, pássaro desobediente que volte, que bata em retirada dessa batalha ingrata de deixar de sentir, para não mais ouvir essa melodia triste que ecoa na alma, e humedece o olhar quando num piscar de olhos se viaja até ao passado. Mais que um querer, é uma imposição irreal este implorar da razão ao espírito para regressar da nostalgia de uma saudade dorida de tocar levemente um rosto, sentir a força de uma outra energia misturada à nossa, o carinho de um gesto, o cheiro sentido de outro alguém, a troca de um beijo demorado... simplesmente olhar nos olhos e sentir que de alguma forma o vazio está acompanhado por dentro, neste silêncio surdo de carência...